Home / Literatura E Quadrinhos / Oito anos sem Carlos Heitor Cony: Duas obras essenciais do autor

Oito anos sem Carlos Heitor Cony: Duas obras essenciais do autor

No dia em que a morte do jornalista e escritor completa 8 anos, indico duas obras que são essenciais para entender a importância do “imortal”para a literatura. Foto: Divulgação.

No dia 5 de janeiro de 2018, morria Carlos Heitor Cony , um dos meus autores preferidos. Aqui nesse post, uma singela homenagem em que separei dois dos seus principais romances e que marcaram bastante, sem ordem de preferência.

Romance sem palavras (1999, Companhia das Letras)

Eu tinha 19 anos e um punhado de sonhos ao ler, pela primeira vez, Romance sem palavras, no longínquo ano de 1999.

Aficionado por leitura desde cedo, tinha assinatura – sim, jovens, antigamente a gente se informava só pelo jornal! – da Folha de S. Paulo e sempre lia, antes de qualquer coisa, a coluna do Cony, com seus “causos cariocas”.

Na época do lançamento de Romance, eu já tinha o desejo de ser jornalista, mas ainda não tinha tido o “impulso” final (leia-se: não tinha dinheiro mesmo😑).

O décimo terceiro romance da carreira de Cony tinha esse título engraçado: Romance sem palavras. Mas, me perdoem o trocadilho: tem muita palavra boa nesse romance que narra a história de três militantes dos tempos da ditadura que têm suas vidas entrelaçadas.

O autor, como sempre, faz referências à sua própria experiência nos anos de chumbo do Brasil, colocando os três personagens (Beto, Irene e Jorge Marcos) em situações que ele próprio vivenciou na época. Curte livros ficcionais baseados em fatos reais? Esse é uma excelente pedida!

Pilatos (1974, Civilização Brasileira)

Essa edição eu achei num sebo, no centro, em 2008 (época boa de garimpo entre o horário da aula da faculdade e a entrada no trabalho na livraria).

Uma das obras mais aclamadas de Cony, Pilatos, assim como Romance, também remete aos tempos de ditadura ao contar a história do personagem-título, um mendigo que tem o pênis decepado e anda com o membro pelas ruas em um pote de vidro (veja, estávamos em 1974!).

Cheio de sarcasmo e humor, o autor faz uma crítica político-social ao momento pelo qual o Brasil passava,  marcado pela marchinha ridícula “noventa milhões em ação”, usada pelos militares na Copa de 1970).

Com a inflação nas alturas e sem “corrupção”, a ditadura pregava que “estava tudo bem no País” (soa atual, não?).

Na edição que tenho, Pilatos é recomendado, na “orelha do livro”, pelo jornalista e crítico literário Otto Maria Carpeaux como um retrato “da nossa condição humana e desumana” e uma verdadeira “obra de arte”. E é verdade. Cony em estado puro! 

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *